Botucatu - Um homem esqueceu um cão amarrado ao engate do carro e o arrastou por aproximadamente 400 metros, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), na manhã de anteontem, e só parou após ser abordado por guardas municipais.
O motorista disse ser dono do animal e que o amarrou ao reboque para que não fugisse e, na pressa, esqueceu de soltá-lo. O cachorro foi levado para o Hospital Veterinário da Unesp, com ferimentos nas quatro patas. O motorista foi levado para a Delegacia de Botucatu, onde foi registrado boletim de ocorrência.
Fonte:
http://www.jcnet.com.br/detalhe_regional.php?codigo=213093 (08/08/2011)
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Primeiro gato clonado faz 10 anos em mercado que produz poucas réplicas
De Bill Murphy (AFP) – Há 3 horas
COLLEGE STATION, EUA — Há quase dez anos da clonagem do primeiro gato, as previsões da abertura de um grande mercado comercial para a "ressurreição" de animais de estimação usando esta tecnologia demonstraram ser um fiasco.
A empresa líder em clonagem de mascotes nos Estados Unidos parou de operar em 2009 e o negócio da clonagem de gado continua sendo relativamente pequeno, com apenas algumas centenas de porcos e vacas clonados por ano em todo o mundo.
Mas os donos de CC, a primeira gata clonada, ainda a consideram um grande êxito. Mais velha e gordinha, e mais lenta por causa da idade, a gata branca e cinza é como qualquer outro animal de sua espécie.
"As pessoas esperam que haja algo diferente nela", disse Duane Kraemer, pesquisador da Universidade do Texas A&M e integrante da equipe que clonou CC.
"Nós a levamos a uma exposição de gatos uma vez. Um homem que veio vê-la disse que se parecia com qualquer outro gado de armazém", afirmou.
CC, cujo nome são as iniciais de Cópia Carbônica, nasceu em um laboratório da A&M em 22 de dezembro de 2001, a partir de uma célula tirada de um gato tricolor chamado Rainbow, e inserida em outro embrião de gato. O embrião foi, então, implantado em uma mãe de aluguel, chamada Allie.
CC tem exatamente a mesma constituição genética de Rainbow, mas não tem sua coloração laranja, pois geralmente apenas duas cores - e não três - são passadas na clonagem de gatos tricolores.
"A clonagem é reprodução, não ressurreição", disse à AFP Kraemer, agora parcialmente aposentado, em uma entrevista concedida em sua casa em College Station, Texas (sul).
Isso, somado a um preço que poderia chegar a seis dígitos, é uma das principais razões pelas quais clonar animais de estimação não tenha sido um grande sucesso comercial.
- "O mercado é, na realidade, extremamente pequeno" -
Por que a BioArts deixou o negócio da clonagem de animais de estimação há dois anos? Seu diretor, Lou Hawthorne, escreveu na página da internet da empresa que muito poucos clientes solicitaram seus serviços.
"Depois de estudar este mercado durante mais de uma década - e de oferecer serviços de clonagem tanto de cães quanto de gatos - acreditamos que o mercado é, na realidade, extremamente pequeno", disse Hawthorne no agora extinto site na internet da BioArts.
Embora muitos dos clones de seu cão tivessem saído normais, os pesquisadores não puderam explicar porque alguns nasceram com deficiências.
"Um clone nasceu de cor amarelo-esverdeada, quando deveria ser branco", escreveu.
"Outros tiveram más-formações do esqueleto, em geral não paralisantes, embora às vezes graves e sempre preocupantes", acrescentou.
"Estes problemas são ainda mais preocupantes se levarmos em conta que a clonagem é supostamente uma tecnologia, em geral, madura", emendou.
O primeiro clone de animal bem sucedido - a ovelha Dolly - nasceu em 1996 no Instituto Roslin da Escócia, mas foi sacrificada em 2003, depois de desenvolver uma doença pulmonar.
Cientistas da Universidade Nacional de Seul clonaram, em 2005, o primeiro cão do mundo, Snuppy (cujo nome é a combinação das siglas da universidade e de 'puppy', filhote de cão em inglês).
A história de CC cruza com a da Genetic Savings and Clone, uma empresa também chefiada por Hawthorne, precursora da BioArts.
John Sperling, fundador da Universidade de Phoenix, um centro de estudos com fins lucrativos do Arizona (sudoeste), investiu quatro milhões de dólares para pesquisar a clonagem animal na Universidade do Texas A&M, na década de 1990.
Hawthorne se associou à Universidade Texas A&M e criou a empresa Genetic Savings and Clone, um negócio que cobrava dezenas de milhares de dólares para clonar animais de estimação.
"Quando CC nasceu e não se parecia com o doador, (o vínculo entre) a parte comercial (do projeto) e a A&M começou a se romper", disse John Woestendiek, autor de "Dog, Inc.: The Uncanny Inside Story of Trying to Clone Man's Best Friend" (Cão, S.A: a estranha história de bastidores sobre a tentativa de se clonar o melhor amigo do homem, em tradução literal).
Segundo Hawthorne, CC socavou sua intenção de vender a clonagem como forma de ressuscitar um bichinho querido. Os cientistas da Universidade Texas A&M não se sentiam confortáveis de que a empresa dissesse que poderia oferecer réplicas de animais de estimação.
Ao fim, Sperling e Hawthorne se separaram da Universidade Texas A&M. A Genetic Savings and Clone se mudou para o Wisconsin (norte), onde tentou, sem sucesso, clonar cães. Acabou fechando e Hawthorne fundou a BioArts.
- A clonagem de gado é mais rentável -
A clonagem de gado tem sido mais bem sucedida, devido ao valor comercial dos animais de boa qualidade: os criadores mostram-se dispostos a pagar dezenas de milhares de dólares pelo clone de uma vaca ou de um cavalo premiado. Certo tipo de gado também é mais fácil e mais barato de clonar do que os cães, explicou Woestendiek à AFP. Com sede em Austin, Texas, a empresa de clonagem ViaGen é uma das duas principais empresas de clonagem de gado dos Estados Unidos.
"Produzimos cavalos clonados a partir de doadores estéreis que agora se reproduzem com eficácia e oferecem oportunidades de genética que não eram possíveis com os doadores", disse Lauren Aston, porta-voz da ViaGen, à AFP.
"Produzimos vacas leiteiras que ganharam concursos internacionais", acrescentou.
Segundo cálculos da ViaGen, 3.000 cabeças de gado foram clonadas desde Dolly. Atualmente, segundo Aston, são clonados no mundo entre 200 e 300 vacas e de 200 a 300 porcos ao ano.
A empresa cobra 165.000 dólares para clonar um cavalo, 20.000 por uma vaca e 2.500 dólares por um leitão.
Os clones de gado da ViaGen não nasceram com más-formações e seus investidores não entendem porque a BioArts obteve resultados negativos quando clonou cães.
CC vive uma boa vida com seus donos, Duane Kraemer e sua esposa, Shirley. Kraemer construiu para ele uma casinha para gatos de dois andares, com ar condicionado e um alpendre fechado. Além disso, adaptou vários locais confortáveis nos fundos de sua casa, em College Station.
CC mora ali com seu namorado, Smokey, e suas três crias. Embora esta gata não tenha tido mãe biológica, ela se saiu uma boa mãe, sempre vigiando de perto seus filhotes.
"Eles miavam e ela já estava ali", contou Shirley Kraemer.
Estudo comprova benefícios de se ter animais de estimação
Donos estão mais apoiados emocional e socialmente
2011-07-14
Os animais de estimação são, por vezes, os melhores amigos dos seus donos. Uma investigação da Associação Psicológica dos Estados Unidos, publicado no "Journal of Personality and Social Psychology", vem agora também revelar que estes proporcionam apoio social e emocional a quem os possui.
Este trabalho indicou que os donos de cães, gatos e outros animais de estimação mantêm uma relação tão estreita com as pessoas próximas como a que têm com seus animais, o que aponta que este tipo de interação não é desenvolvida em função das relações humanas.
Psicólogos da Universidade de Miami e da Universidade de St. Louis, nos EUA, foram responsáveis por este trabalho, em que se realizou três estudos para analisar os possíveis benefícios de se conviver com uma “mascote”.
Segundo Allen McConnel, investigador da Universidade de Miami e primeiro autor do artigo, em termos gerais, pessoas com animais de estimação "têm mais qualidade de vida e conseguem resolver melhor diferenças individuais do que as que não os têm”.
O psicólogo acrescentou ainda que, "especificamente, os donos de animais têm mais auto-estima e estão em melhores condições físicas. Além disso, tendem a ser menos solitários, são mais conscientes do que ocorre à sua volta, são mais extrovertidos e, normalmente, são menos receosos e preocupados”.
Allen McConnel concluiu dizendo que os estudos realizados trouxeram “provas consideráveis” de que “os animais de estimação beneficiam a vida dos seus donos tanto no âmbito psicológico como no físico, já que representam uma importante fonte de apoio social".
Referência
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=50064&op=all
domingo, 7 de agosto de 2011
Dr. Abel de Oliveira, Presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MS escreve artigo sobre a Leishmaniose

Um dia após o Simpósio, Dr. Abel de Oliveira, Presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MS e convidado do evento, escreve artigo sobre a Leishmaniose
LEISHMANIOSE: UM PERIGO A VISTA
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Mato Grosso do Sul realizou no final de semana, dias 27 e 28 de novembro(sábado e domingo), um simpósio tratando do tema Leishmaniose.
Tive a oportunidade de estar presente na abertura e na mesa redonda do domingo à tarde. Muito bom o evento. Tratou de uma questão que preocupa. Um evento de muita grandeza, pois visa à saúde humana e dos animais. Muito boa a iniciativa dos profissionais da medicina veterinária.
A doença, conhecida como Leishmaniose, é provocada pelos protozoários do gênero Leishmania, transmitida ao homem pela picada de mosquitos flebotomíneos, também chamados de vários outros nomes.
É uma doença que afeta o cão, mas que acompanha o homem desde tempos remotos e que tem apresentado, nos últimos 20 anos, um aumento do número de casos e ampliação de sua ocorrência geográfica, sendo encontrada atualmente em todos os Estados brasileiros, principalmente, em Mato Grosso do Sul, onde muitos e muitos caso vem sendo registrados, e até com morte de humanos.
No entanto, já se propaga a ideia de sacrificar os cães infectados, num verdadeiro processo de eutanásia. Inclusive, com tentativas de projetos de lei nesse sentido. Porém, o animal tem que ser tratado e não sacrificado.
A legislação brasileira considera o animal como bem. No caso do cão com dono, um bem semovente e privado. No caso de animais errantes (sem dono), um bem de responsabilidade do Poder Público.
A Leishmaniose Visceral é transmitida através de pequenos insetos que se alimentam de sangue, e, que , dependendo da localidade, recebem nomes diferentes, tais como: mosquito palha, tatuquira, asa branca, cangalhinha, asa dura, palhinha ou birigui. Por serem muito pequenos, estes mosquitos são capazes de atravessar mosquiteiros e telas. São mais comumente encontrados em locais úmidos, escuros e com muitas plantas.
Portanto, é necessário muito cuidado com esse mosquito, e muita vigilância para evitar o seu aumento e proliferação, como o uso de repelentes. Mas, acima de tudo, muito cuidado se deve ter com relação aos cães de estimação.
Para a prevenção da doença já existem vacinas. As vacinas Leish-Tec e Leishmune que devem ser aplicadas em cães acima de quatro meses de idade. Contudo, a vacinação deve ser precedida de minucioso exame clínico realizado por médico veterinário.
Entretanto, a vacina subcutânea deve ser aplicada somente em cães assintomáticos com resultados sorológicos negativos para Leishmaniose Visceral Canina.
Mas, é bom lembrar que a vacina não é o único instrumento de prevenção e controle dessa enfermidade, pois existem outras medidas a serem adotadas, em conformidade com orientação do Ministério de Saúde.
Então, a ideia, anseio ou pretensão de se matar os animais (cães) contaminados pela doença ou com suspeita dela, não é compatível com a realidade. Não existem estudos que provam que a matança desses animais resolve o problema. Há muito se vem sacrificando esses “bichos”, mas, os índices dos casos da doença vêm aumentando.
Bom que se frise, o Brasil é o único país do mundo a matar sistematicamente cães com Leishmaniose. No resto do mundo trata-se a doença. Vamos imitar nossos alienígenas!
[1] O autor é Especialista em Direito Ambiental; Mestre em Gestão e Auditoria Ambiental; Procurador de Justiça Aposentado; Consultor Jurídico Ambiental e Presidente da Comissão do Meio Ambiente da OAB/MS
domingo, 31 de julho de 2011
GATOS E DOENÇAS CARDÍACAS

Dr. Moyses Fonseca Serpa,
CRMV-RJ 2016
Especializado em Cardiologia e Mestre em Ciência Veterinária mserpa@oi.com.br
É fato que o número de pessoas que criam e adoram gatos tem aumentado significativamente. Mas por ser uma tendência nova, esses novos proprietários de gatos pouco sabem sobre as doenças mais comuns nesses PET´s.
E evidentemente que isso se aplica às doenças cardíacas.
Ao contrário dos homens e de vários outros animais, esta espécie raramente apresenta os sinais clássicos de doença cardíaca, tipo: tosse, intolerância aos exercícios, ascite e edema pulmonar. Em virtude desta característica, na maioria das vezes, o doente quando é assistido já se encontra num estágio avançado da doença.
Então! Vamos conhecer um pouco mais sobre este assunto?
Doenças valvares
São bem frequentes nos cães pequenos, e são raras nos gatos. Nesta espécie as deformidades valvares congênitas como prolapsos; cordoalhas cruzadas, frouxas ou curtas; deformidades nos músculos que sustentam as cordoalhas; ausência de folheto valvar entre outras, são relatadas na literatura especializada. Mas, em face da precocidade e severidade das alterações – que são exuberantes e precoces – quase sempre a doença é fatal e o diagnóstico somente é realizado no pós-morte.
Nos gatos a forma crônica e degenerativa da doença valvar pode ser encontrada nos animais bem idosos, mas trata-se de uma esclerose como tantas outras observadas nos pacientes senis.
Doenças do músculo cardíaco
As cardiomiopatias podem ser primárias ou secundárias a outra doença e representam mais de 90% das doenças cardíacas dos gatos. Esta enfermidade é classificada em quatro grandes grupos em função de apresentação morfológica: A forma dilatada, a hipertrófica, a intermediária e a restritiva.
A apresentação dilatada de origem nutricional (por deficiência de Taurina) tornou-se muito rara com a presença deste aminoácido nas rações de boa qualidade. A forma dilatada mais observada é aquela secundária a administração de algumas drogas antineoplásicas no tratamento de determinados tipos de câncer.
Nesta apresentação, o coração perde progressivamente sua força de contração e os órgãos deixam de receber seus nutrientes e eliminar os resíduos orgânicos.
Na miocardiopatia restritiva o coração tem dificuldade para relaxar sua musculatura em face de uma fibrose cicatricial por doença virótica, inflamatória ou a uma doença imunológica. É com se houvesse uma “cinta restritiva” que reduz a capacidade de relaxamento do músculo.
A apresentação hipertrófica é a mais frequente – e a que mais preocupa. Pois o miocárdio fica espessado e enrijecido, o que diminui a câmara ventricular e consequentemente a capacidade do coração de receber o sangue oxigenado e levá-lo aos demais órgãos do corpo.
A miocardiopatia hipertrófica é secundária principalmente ao hipertiroidismo, a doença renal crônica e a hipertensão arterial – E pode ser evitada.
Na próxima visita ao médico do seu PET, converse com ele sobre a possibilidade de realizar alguns exames preventivos. ☼
O BRASIL NA CONTRA MÃO DO MUNDO

Vivi Vieri
Advogada
Em 1963, o Ministério da Saúde através do Decreto Nº 51.838, de 14 de Março de 1963, baixou normas técnicas para o combate da Leishmaniose destacando a importância das eutanásias de cães infectados e dirigindo ao Departamento Nacional de Endemias Rurais, por ser uma doença típica do meio rural.
Quarenta e oito anos depois, em pleno século XXI, na data de 11 de julho de 2008, dois Ministérios, da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, baseados em decretos, entre eles o Decreto de 1963, resolveram criar a PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 1.426, adotando como primeira medida as eutanásias de cães infectados e proibindo o tratamento dos cães com medicações humanas em todo país.
Com o advento da nova Constituição, este Decreto de 1963 não foi recepcionado, havendo incompatibilidade entre ele e a norma constitucional de 1988, pelo fato de terem surgido novos direitos do cidadão, do animal, hoje considerado como sujeito de direito e do profissional, no caso em tela, o médico veterinário.
Como exemplo, a Portaria Interministerial, ao proibir o tratamento de cães infectados, obrigando o recolhimento para eutanasiar baseado apenas em um exame, está desrespeitando e ferindo o cidadão em seus direitos e sem fundamentos científico para isso, apenas embasados em revisões sistemáticas.
Portaria é ato administrativo, “que não pode inovar legislar, por que precisa se basear em leis, apenas regulamentando, dentro dos limites constitucionais e legais, o conteúdo da lei”.
Tais medidas encontram-se restritas ao âmbito de execução de atos normativos hierarquicamente superiores, sendo-lhes vedado inovar a ordem jurídica para restringir direitos ou impor obrigações.
Em um dos Informes Técnicos da OMS, diz: "o tratamento não é uma medida de controle de LV; não obstante, em situações especiais em que se aplique o tratamento, se recomenda que se apliquem medidas que impeçam o contato do cão tratado com o vetor de LV. Tais medidas deverão ser cientificamente avaliadas e validadas, com o objetivo de mitigar o risco de que o animal em tratamento seja fonte de infecção para o vetor e pessoas.
No Informe Técnico de 2010 do mesmo Instituto, fala-se do uso de medicamentos para controlar a doença e apesar de tantas informações contrárias e das evidências de que é um fracasso, a atual Portaria insiste nas eutanásias indiscriminadas, mantendo a mesma política, sendo o único país no mundo que controla a doença matando cães. O que falta são políticas públicas mais eficientes, não atribuir ao cão a responsabilidade pela disseminação da doença, haja vista ter outros reservatórios, entre eles o próprio homem e os problemas atuais como o crescimento urbano desenfreado.
Eutanásias obrigatórias são desnecessárias e carentes do devido respaldo científico. Descumpre as normas técnicas do Regulamento Sanitário Internacional, do qual o Brasil é signatário, desrespeita a Declaração Universal do Direito dos Animais, proclamada pela UNESCO em 1978, da qual o Brasil também é signatário, viola a Constituição Federal e demais leis protetivas da vida animal e desconsidera as orientações da OMS - Organização Mundial de Saúde
Nossa vizinha Argentina, adotou como medidas para controle de zoonoses, entre elas a Leishmaniose, um programa de guarda responsável, que inclui a castração de cães e gatos, medida esta recomendada pela OMS.
Com tantas evidências negativas, mesmo assim, o Brasil continua na contra mão do mundo, mantendo as mesmas diretrizes para o controle da Leishmaniose através do sacrifício sumário de cães supostamente doentes, desrespeitando os direitos do cidadão, todos esses direitos amparados pela nossa Carta Magna e lançando mão de uma política pública ultrapassada e ineficaz. ☼
A MORTE DO CÃO

Carlos Henrique Nery Costa
Médico
Há alguns dias, fui procurado pela TV para dar uma entrevista sobre calazar, relacionada
a uma declaração de uma funcionária da prefeitura de Teresina que a proporção de cães com teste positivo para a doença era muito elevada em alguns bairros, e que se havia notado um aumento do número de pessoas doentes na cidade nos últimos anos. Como sempre, expliquei os sinais da doença para que possíveis pacientes logo procurassem as unidades de saúde. Mas senti com um certo mal estar, pois havia cheiro de morte no ar. Passados uns dias, verifiquei que o mal estar era real quando soube do efeito da minha entrevista. No meu consultório, um paciente disse que graças à ela havia entregue o seu amado cão, completamente sem sintomas de doença, para ser morto pela prefeitura por ter um resultado de exame positivo.
Um cão saudável, belo, querido, morto por minhas palavras conduzidas por uma reportagem enganosa e por um ato de terrorismo de estado. Fiquei profundamente abalado. Gostaria de deixar claro que, enquanto eu era entrevistado, disse coisas que não foram publicadas. Por exemplo, alertei ao repórter que os meus anos de estudo de doença haviam me convencido que a matança de animais não reduz o risco para as pessoas e nem impediu a disseminação da doença pelo País afora e para a Argentina,
que não existem evidências científicas apoiando esta medida e que me oponho vigorosamente a ela. Nada impediram, no entanto, que o meu depoimento fosse editado de tal modo que a descrição dos sintomas servisse para aterrorizar as pessoas e induzi-las a entregarem os seus animais para a morte, para um sacrifício desnecessário. Para a TV, foi irrelevante o pensamento do entrevistado, desde que atendidos os interesses dos editores.
No ano passado, minha aluna Dra. Ivete Lopes de Mendonça defendeu sua tese de
doutoramento, que foi ao cerne do problema. Ela estudou cães destinados à morte. Fez testes para o diagnóstico e os comparou com o que encontrou nas vísceras dos animais. Notou que este mesmo teste que é utilizado pelo governo brasileiro é inútil para afirmar que um animal tem a doença. Por exemplo, se, em Teresina, a chance de um cão sem sintomas ter a doença for 10%, quando o teste dá um resultado positivo,
a chance de ter calazar passa apenas para 11% e, mesmo assim, todos são mortos! Ou seja, o teste não acrescenta informação relevante, o que faz com que, em circunstâncias similares, quase 90% dos cães mortos pelo Programa de Controle de Calazar sejam, na verdade, animais sadios.
Também no ano passado, foi publicada uma síntese do conhecimento sobre o assunto
encomendada pela Organização Panamericana de Saúde mostrando a ineficácia desta medida. Além disto, o Código Sanitário Internacional, do qual o Brasil é signatário, exige que toda medida de saúde pública deve ter evidências científicas em seu favor. Ainda assim, o Brasil, único no mundo, continua matando cães, induzido pela obsessão mortífera de funcionários públicos pouco esclarecidos e indiferentes às normas.
Este caso revela também outros fatos muito graves, que são as lições de ignorância e de
violência institucionais. Lição da irrelevância do conhecimento científico, de falsidades tomadas como verdades pela mídia oficializada, de indiferença às opiniões não oficiais e de banalização da morte, neste caso de seres inteligentes, sensíveis e amados. Assim, o Brasil comporta-se de forma primitiva e brutal, muito longe das características da nação civilizada e desenvolvida que, um dia, nós, brasileiros, almejamos ser.”
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